Não sou muito bom para fazer "reviews" de viagens, mas vou tentar levantar alguns pontos aqui, talvez um pouco sobre o viés de quem teve até certo preparo: não para a viagem em si, pois ela foi decidida de fato cerca de 2 meses a 1 mês antes (assim como a compra das passagens), mas um preparo financeiro que me fez conceber esta viagem, realizá-la e ainda assim sair no mês seguinte com um aumento no patrimônio. E sim, a viagem foi cara... não sei se vou falar valores no detalhe, mas dava pra ter comprado um carrinho simples usado com pouca quilometragem.
Não queria falar muito, mas vai ser difícil não me alongar... vamos ver o que sai....
Impressões Gerais
Vou começar falando das impressões gerais: estive apenas em Istambul (quase saí de lá sem querer, mas aí é resenha pra uma mesa de bar), então lá é sim uma cidade extremamente voltada ao turismo. Não todos, mas a maioria vai pelo menos "arranhar" no inglês (suficiente para te vender o serviço/produto que oferecem) e, vez ou outra, vão falar muito bem, mas é raro — e considerando que eu não sou totalmente fluente, consegui me virar bem uns 90% em inglês e 10% entre 1 ou 2 palavras em turco e por gestos às vezes.
O lugar em que me hospedei não era tão badalado (Aksaray, perto da estação de bonde Yusufpaşa), então era um pouco mais difícil a comunicação no comércio das proximidades do que em pontos mais famosos. No hotel foi um quarto que se vendia como 3,5 estrelas, mas tava mais pra um 2,5. O preço foi até justo pelo acesso aos pontos turísticos serem muito fáceis através de transporte público (falo disso mais tarde).
O Clima esteve bom 80% do tempo, ficou chuvoso e mais frio (6° a 9°C) nos últimos dias, mas grande parte acima de 15°C e, para mim, bem confortável, talvez exceto pelo vento — foi ótimo ter levado uma jaqueta corta-vento. Esse sim persistiu todos os dias... muito vento... mas eu particularmente até gosto um pouco, então para mim não foi um ponto necessariamente negativo.
Dinheiro: Tenha dinheiro físico para comprar comidas na rua, pequenas lojas e Grand Bazar (geralmente te dão desconto também ao pagar em dinheiro). Outros estabelecimentos padrão vão aceitar cartão por aproximação normalmente - poucos casos não aceitou aproximação e tive que inserir cartão e usar senha, mas parece que era problema na máquina mesmo.
Na época que foi a conversão que eu fazia era multiplicar por 0,11/0,12 aproximadamente pra entender o valor.
Se algo era 500 Liras turcas, então era mais ou menos R$55,00 a 60,00. ( ou eu dividia por 10 e somava mais 10% quando ia calcular de cabeça). Claro, pra valores pequenos, apenas dividir por 10 já dava uma ideia.
---
Vou colocar abaixo os PRINCIPAIS pontos positivos e negativos (tem outros, mas, como disse anteriormente, não quero me estender muito).
PONTOS POSITIVOS
1 - Povo receptivo!
De longe, para mim, o melhor ponto positivo! O Brasil que se cuide no que se diz de receptividade. Falando inglês ou não, eles sempre tentam te ajudar, como se fosse alguém da família.
Quando cabe à situação, sempre vão te oferecer um chá, uns biscoitos, e tentar interagir, te ensinando algumas palavras, querendo aprender outras etc.
2 - Comida!
Para o paladar brasileiro, você não vai passar fome! Além do clássico chá (que parece ser mais popular que café para países daqueles cantos), os biscoitos são gostosos, o Simit (pão tradicional de lá) eu simplesmente ADOREI (quero muito aprender a fazer em casa), trocaria fácil com o nosso pão francês.
Aliás... eles também comem pão francês, seja fatiado no café da manhã, seja em outra iguaria tradicional: o Döner, com aquelas carnes assadas ao ar livre em espetos na vertical (sei que se acha isso em São Paulo também).
Salada de tomate e pepino (e muitas vezes acelga) são bem populares por lá também, tem em todo menu. Assim como a sopa de lentilha — eu não costumo gostar nem de sopa, nem de lentilha, mas essa sopa especificamente preciso aprender a cozinhar também. Comi peixes e carnes muito boas também e outros tipos de saladas. As comidas no geral têm alguma pimenta, mas, para o meu paladar (que é sensível a pimentas), achei num nível bem baixo. Só tome cuidado (que eu não tomei) quando vem uma pimenta INTEIRA no prato, aí "pode ser cilada, Bino".
3 - Cultura Geral
Sensação de segurança e, em geral, de honestidade sempre. A cultura islâmica é bem visível (vestimentas). Dica: se quer se sentir à vontade, apenas use calças (homens e mulheres). Eu, particularmente, me senti um extraterrestre no único dia em que resolvi sair de bermuda na rua, as pessoas ficam olhando... Você vai achar uma ou outra pessoa, mas é quase certeza de que é um turista desavisado.
Não é proibido, nem nada... mas é aquela sensação de estar no lugar errado — não sei explicar.
E isso está como positivo, porque eu também não me senti ofendido. Apenas me adaptei à cultura local e, conforme os dias vão passando, você vai desmontando alguns estereótipos que tem sobre os muçulmanos de forma geral. Você simplesmente chega à conclusão (que deveria ser óbvia) de que são só outros seres humanos como qualquer um. Se a mulher lá usa burca ou cobre o cabelo ou não, eles não fazem nenhuma distinção e você começa a achar completamente normal e habitual, cada um vive sua vida. Como aqui, no Ocidente, todos mais olhando o celular do que você, vestindo tênis... falando, discutindo, rindo... exatamente igual você veria numa rua bem movimentada no centro de São Paulo.
Uma curiosidade e discrepância sobre tudo o que citei acima foi a região de Kadikoy / Moda. Nesse "bairro" ou região, não sei bem como chamar, esquece quase tudo o que falei acima. Fica do lado asiático de Istambul e ali sim você vai encontrar um lugar mais "cosmopolitano". Lojas de marcas, grifes, cafés e restaurantes mais modernos... lojas de roupas mais modernas, celulares, videogames... Ali sim, contraditoriamente, parece que você voltou ao Ocidente (sim, no lado oriental de Istambul).
Ainda sobre a cultura, eu particularmente achei interessantes as partes das mesquitas. Elas estão por todo lado (todo lado mesmo), é difícil você olhar 360 graus ao seu redor e não enxergar pelo menos uma! Tem tanta mesquita quanto igreja evangélica no Brasil. E de horas em horas elas fazem uma espécie de chamado para as pessoas rezarem e isso, como é em toda mesquita, você sempre vai ouvir também, de qualquer lugar onde esteja. Se não me engano, são 5x ao dia e, nesses dias que eu estive lá, um deles me acordava toda madrugada às 4:30 da manhã (mas eu dormia rapidamente após os 3 a 5 minutos de chamado/canto).
4 - Transporte público
Não vou me estender aqui. Tram (bonde), metrô e ônibus (para o aeroporto), tudo muito fácil de usar. Comprei o Istanbulkart logo no aeroporto e usei ele a viagem toda (exceto aquele primeiro táxi).
Sabendo o roteiro que você vai fazer dentro do metrô, as estações do Tram que passam nos pontos turísticos e tendo noção básica de direção, você vai onde quiser na cidade, faz as baldeações de metrô muito facilmente também (com atenção, claro).
Só pra dar um exemplo, para ir a essa parte, Kadikoy, no lado oriental, fiz baldeações entre 3 ou 4 metrôs e não tive, em nenhum momento, receio de me perder. Não sei se entendi bem, mas aparentemente, em um trecho o trem passa por baixo do estreito de Bósforo.
Ah, o Istanbulkart também dá pra ser usado para a travessia de barco do Bósforo de um lado ao outro também (fui uma vez). Todos os transportes com preço muito bom... acho que gastei, tirando os ônibus para o aeroporto que eram cerca de 50 reais, uns 120 reais usando todos os transportes durante os 8 dias pelo menos umas 4x.
PONTOS NEGATIVOS
1 - Tabagismo / Cheiro de cigarro
Não tem muito o que falar aqui. Você vai sentir cheiro de cigarro 95% do tempo. O povo lá fuma, e não brinca não... sempre tem alguém em algum lugar "pitando" algo ou ao menos você estará sentindo o cheiro vindo sei lá de onde — isso me atrapalhou um pouco a dormir, já que mesmo dentro do quarto do hotel, sem ninguém fumando, o cheiro vinha de algum lugar... ou tava impregnado no meu nariz das saídas à rua. Não teve muito o que fazer com relação a isso. Vocês não têm noção de como o Brasil realmente praticamente resolveu esse problema aqui. Lembro que nos anos 90 era mais ou menos a mesma vibe por aqui.
2 - Pagamento um pouco confuso no hotel
Isso não sei se foi do lugar em que me hospedei ou se é algo comum.
Assim que cheguei, combinei de pagar quando eu fosse fazer o checkout e que pagaria em liras turcas com cartão.
Mas quando foi se aproximando do dia do pagamento, por pelo menos uns 3 dias antes do checkout do hotel, começaram a cobrar que eu já pagasse adiantado. Ou em dinheiro vivo ou, se fosse cartão, em euros. Quando eu questionava o porquê, senti que eles meio que não conseguiam/não queriam explicar. Isso foi me deixando apreensivo, mas concordei. Porém, isso se estendeu por 3 dias (até o dia anterior do checkout), porque eu não estava preparado. Combinamos um jeito primeiro e depois trocaram... No final acabei fazendo uma conversão para euros e paguei com o cartão.
Foi tudo certo, o preço foi o combinado e justo, mas realmente isso me causou insegurança, já que era o maior valor que ia pagar depois do preço das passagens... não era qualquer trocado.
Golpes: Expectativas X Realidade
Bem, tem uma coisa que eu queria comentar aqui que pode tomar um pouco mais de espaço: GOLPES!
Em quase todo vídeo do YouTube falam que o povo vive querendo passar golpe em você: primeiro lugar disparado: TAXISTAS e depois comerciantes de forma geral (principalmente no Grand Bazaar) e depois, restaurantes.
1 - Taxi
Minha experiência pessoal com taxista (uma única, pois depois eu só andei de transporte público — trem, bonde e metrô) foi EXCELENTE! Pedi um Uber, o cara veio, me levou ao hotel, e eu, sem entender por que o pagamento não estava indo, ofereci pagar em dinheiro. Ele, com o inglês bem ruim, me explicou que o pagamento tinha sido descontado já pelo Uber (mas não tinha, porque meu cartão estava bloqueado ainda e eu ia desbloquear lá). Depois de um tempo entendi por que não descontou do Uber, desbloqueei o cartão e ocorreu o desconto normal.
Ele teve a oportunidade de pegar o dinheiro que ofereci (ainda até acima do preço da corrida) e se recusou veementemente, ficando só com o valor no Uber, que também respeitou corretamente o valor do taxímetro. Outra coisa que falaram é que eles recusavam ligar o taxímetro e você tinha que insistir. Neste táxi, assim que entrei, ELE me ofereceu ligar o taxímetro.
Ou seja, eu fui com medo até de ser chantageado pela minha mala estar no porta-malas e ter que pagar qualquer valor absurdo e, dali, já tive uma das melhores experiências de honestidade. Honestamente fiquei até com raiva dos influenciadores do YouTube que disseram que era 100% de certeza que eu ia levar golpe, mesmo pedindo via Uber. E foram praticamente TODOS falando isso! Ou eu só dei muita sorte mesmo e a chance não era 100%, mas 99,9%, e eu achei o taxista dos 0,01%.
2 - Grand Bazaar
Quanto a golpes no Grand Bazaar ou em qualquer outro lugar, eu acho que as pessoas têm que aprender a separar o que é golpe do que é preço alto.
Para mim é ÓBVIO que os preços em um lugar turístico vão ser mais altos que em uma área menos turística. Eu vi isso acontecer com o preço da garrafa d'água.
Em lugares turísticos cheguei a pagar 70 liras por 500 ml! Em um mercado de bairro era 11 liras por 1,5 L. Mas é óbvio isso. Eu não podia esperar diferente.
Então, depois que estive lá, percebi que o que o povo chama de golpe, na verdade, é só flutuação de preço de lugar turístico. Vai comprar um picolé no Pé do Pão de Açúcar, no Rio, ou dentro do Supermercado Guanabara... meio óbvio, né.
O que eu fiz? Apenas visitei e conheci o Grand Bazaar... comprei algumas coisinhas, com certeza superfaturadas lá... mas não o grosso das compras e presentes... só o básico.
Depois fui em uma loja mais local ali da área do hotel e comprei tudo por 3x a 4x mais barato.
Só pra ficar claro: pra mim GOLPE é quando o combinado não é cumprido. Agora, se o cara fala que o preço é tal e você aceitou pagar... isso não é golpe, me desculpe.
E você vai ver no YouTube um monte de gente falando que isso é golpe.
Sim, se você quer muito algo que viu ali, na hora, se não tem preço fixo, você consegue barganhar... mas eu sinceramente acho chato isso. Fiz uma vez e consegui baixar uns 40% do preço... mas o cara ficou meio ofendido aparentemente, mas vendeu... então, de novo, foi o combinado final, então tenho certeza de que ele ainda teve lucro e eu paguei o preço que eu quis pagar (mesmo que tenha sido mais alto), mas foi o combinado e ponto.
3 - Restaurantes
Aqui sim talvez estejamos falando de golpe. Não "caí", mas poderia ter caído. Eles colocam água e pão na sua mesa sem você pedir em alguns lugares como se fosse um "agrado". E esse sim, alguns youtubers falaram sobre e nisto já fui um pouco preparado.
Recomendo, ou já falar assim que fizer o pedido para não trazer ou se já trouxeram, pedir para retirar da mesa, logo no começo. Não deixe para o final pois até tiram, mas com alguma dificuldade a mais pois eles tem que refazer a conta. Se você nao falar nada, vão te cobrar mesmo que você nem encoste na garrafa d'água ou nos pães. Quase aconteceu uma vez, mas quando vi na conta que a água estava la (Su em turco) questionei e retiraram da comanda e claro, eles pegam a água mais cara possível.
Porém teve um restaurante que ofereceram entrada com paẽs e molhos (questionei e eles falaram logo de cara que não seria cobrado e que era uam cortesia), assim como o mesmo lugar ofereceu café e um doce turco ao final, também cortesia (claro, toda a experiência já está embutida no preço), mas realmente a comanda veio certinha e, de novo digo, o que é combinado antes, não é golpe. Inclusive foi o lugar com a melhor comida que tivemos.
---
1 PASSEIO
Bem, isso porque foi um resumo... nem falei de pontos turísticos e tal porque isso você acha informação em qualquer lugar.
Se for pra elencar um lugar que você deve ir é ao Passeio Completo (com museu) da Hagia Sofia (é CARO, para 2 pessoas paguei cerca de 600 reais, mas pra mim valeu a pena), além de visitar o próprio templo histórico, depois você vai a um museu, em um outro prédio não muito longe dali, onde tem uma apresentação audiovisual (você pode ter o áudio em Português) da história do templo. Eu, particularmente gostei de como apresentaram. E, depois ainda vê artefatos históricos do local e da história de Istambul.
CONCLUSÃO
Bem, foi esse meu resumo não tão resumido... mas que, de tudo que passei nesses 8 dias lá, foi só uma fração das experiências. Recomendo se tiverem a oportunidade. E sinceramente, acho que dá pra ter esperança já que às vezes a ficha não cai de que já fui... jamais na minha vida pensava que iria parar na Turquia e em condições muito mais tranquilas financeiramente do que quando fui pra Russia onde quase zerei toda minha grana.
De novo reforço o que já disse em outro post, se nunca saiu do Brasil, tente ter uma experiência, aí você vai entender as pessoas que genuinamente entendem que o Brasil pode ser um país melhor, talvez até mesmo sem um grande esforço.
Nenhum comentário:
Postar um comentário